quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

LÍDERES INDÍGENAS SÃO AMEAÇADOS DE MORTE

Uma das liderança do Povo Paiter Suruí da terra Indígena Sete de Setembro em Cacoal - RO, Ninawá Huni Kuin, vem sendo ameaçado de morte por madeireiros desde 2005 e já chegou a ser escoltado pela Força Nacional de Segurança. O povo Suruí tentam conter a exploração ilegal de madeira em suas terras desde a década de 90.
Outra liderança, o cacique Almir Suruí afirma que é preciso conversar e critica o atual governo pela falta de diálogo com as lideranças indígenas.
Além disso, desde a campanha presidencial os indígenas vêm sendo ameaçados pelo atual Presidente da República, que disse que iria flexibilizar a demarcação de terras e a exploração mineral em áreas inclusive já demarcadas e homologadas, contrariando o que diz a Constituição Federal, diz Almir.
Ninawá também lidera o povo Huni Kuin no Acre e vem sofrendo ameças de grupos armados desde 2012. " A terra é tudo para os povos indígenas. Não se trata de questão financeira ou econômica, mas sim da crença em valores espirituais, de que a terra é a grande provedora da vida."
Almir Suruí afirma ainda que "estão querendo dividir as lideranças indígenas" mas que a maioria se mantém fiel às suas tradições. Pode até ser que uma ou outra liderança venha a aceitar o jogo sujo do atual governo, mas vai ser uma minoria.
Premiado pelo Global 500 da ONU e autor premiado e traduzido nas línguas francesa e inglesa, Davi Kopenawa, outra liderança indígena Yanomami, também denuncia as ameaças de morte que vem sofrendo nos últimos anos, por parte de garimpeiros de Roraima-RR.
As três lideranças se encontram numa situação parecida com a que viveu o sindicalista e seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988 e que foi o primeiro brasileiro a receber esse prêmio um ano antes da sua morte brutal, num reconhecimento internacional pela sua luta em defesa da conservação da floresta aliado ao desenvolvimento econômico.
"Nós temos propostas para o desenvolvimento sustentável. Não que a floresta seja um santuário intocável, mas tem que haver critérios para usar os seus recursos de maneira sustentável. Não podem querer acabar com tudo de uma hora para outra, com o incentivo do Governo Federal, que deveria ser o primeiro a buscar o consenso e o diálogo, afirma Ninawá."


Ninawá Huni Kuin, liderança do Povo Paiter Suruí

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