quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Que tal Aprender com os Povos Indígenas

Por Sergio Vieira

Mesmo antes de ser eleito, o atual presidente da república Jair Bolsonaro já demonstrava desprezo pelas minorias étnicas, incluindo os povos indígenas. Por isso, desde a campanha presidencial, eles começaram a se mobilizar visando a defesa dos seus direitos, adquiridos via Constituição Federal, como por exemplo a posse dos seus territórios.
Depois de eleito, o presidente vem tentando por em prática o que havia insinuado durante a sua campanha, principalmente incentivando as invasões de terras por madeireiros, garimpeiros e grileiros, sem contar com o enfraquecimento da FUNAI e com uma série de ações contra a preservação do meio ambiente e a favor dos ruralistas, o que também coloca em risco a segurança dos povos indígenas.
Desde então essas etnias vem dando um banho na nossa sociedade em termos de mobilização e de pressão contra as ações nefastas do governo Bolsonaro, começando com a tentativa do ministério da saúde de municipalizar o atendimento de saúde das comunidades indígenas (que têm atendimento diferenciado), ou seja, querendo empurrá-los para o famigerado e falido SUS, o que gerou pressão e protestos em Brasília, fazendo com que o governo desistisse de mais essa covardia. Depois veio a pressão, por parte dos indígenas, inclusive na Câmara Federal, para que o governo voltasse atrás e reconduzisse a FUNAI - Fundação Nacional do Índio (responsável, entre outras, pela demarcação de terras) ao Ministério da Justiça, já que o presidente Bolsonaro queria, de todo o jeito, transferir a fundação para o Ministério da Agricultura, que é comandado por uma árdua defensora dos interesses dos ruralistas, o que aumentaria ainda mais os ataques contra os povos indígenas.
Finalmente, há poucos dias, aconteceu a 1ª Marcha das Mulheres Indígenas, que reuniu, em Brasília, no último dia 09/08 mais de 3.000 representantes de 113 povos indígenas, mostrando ao desgoverno Bolsonaro que "vai ter luta" e que não vão ter moleza se ele continuar a desrespeitar os direitos dos povos indígenas.
Em contrapartida, observamos, com tristeza, a dificuldade da esquerda no Brasil em conseguir mobilizar a população para dar um basta nas ações covardes de Bolsonaro contra os trabalhadores, mulheres, gays, etc.
Já dizia Ulisse Guimarães: "só o povo nas ruas é que mete medo nos políticos."
Por isso, enquanto a equerda ficar debatendo nas redes sociais e não conseguir organizar e mobilizar a população, nos municípios e estados do Brasil, de maneira que possa efetivamente pressionar os políticos a governarem em favor e não contra o povo, pouca coisa vai mudar nessa escalada de arbitrariedades e de atrocidades contra os cidadãos de bem.
Pra terminar, uma luz no fim do túnel, com a vitória da esquerda nas prévias das eleições presidenciais na Argentina. Não nos esqueçamos de que, quando a gente olha para os nossos "hermanos", sempre vem à cabeça: "eu sou você amanhã."

1ª Marcha das Mulheres Indígenas, em Brasília
 Primeira Marcha das Mulheres Indígenas em Brasília-DF.

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